Onde você aprendeu sobre dinheiro? Há grandes chances de que você faz com o seu dinheiro hoje, o mesmo que você observou seus pais fazerem com o dinheiro deles. E seus pais faziam com o dinheiro deles aquilo que aprenderam com seus avós.

Você está feliz com o que aprendeu sobre dinheiro? Quer ensinar o mesmo para os seus filhos? Você tem confiança nos seus próprios conhecimentos para ensinar seus filhos sobre educação financeira?

Sou mãe de dois meninos, um de 5 anos e um de 9, e vivo diariamente com essa preocupação de dar os exemplos certos e ensinar a base que vai servi-los para o resto da vida. Como profissional da área financeira, sinto ainda mais o peso dessa responsabilidade.

Por isso leio muito sobre o assunto e resolvi compilar algumas dicas e ideias práticas de várias fontes para ajudar os pais que querem ensinar responsabilidade financeira aos filhos.

COMECE CEDO

Crianças pequenas, até 3 anos, não se interessam por dinheiro em sim (notas de papel ou moedas), mas já são capazes de entender um sistema de recompensa, como por exemplo ganhar um doce, ou poder brincar no iPad se tiver um bom comportamento.

Ideia: Quando seu filho pequeno tiver um comportamento que merece recompensa, ao invés de dar a recompensa diretamente, dê-lhe um cupom com um certo valor. Por exemplo: 1 cupom vale um recompensa menor e 3 cupons valem uma recompensa maior. Seu filho vai estar aprendendo sobre troca monetária e, principalmente, como poupar e ter paciência para esperar por uma recompensa maior.

Não espere resultados imediatos com crianças pequenas, especialmente logo quando se faz uma mudança de sistema. Mas tenha paciência também e os resultados vão valer a pena.

MESADA

A mesada é uma excelente maneira de começar a ensinar as crianças como gerenciar o dinheiro. Ela deve ser dada em intervalos regulares para que haja oportunidade constante de reforçar os ensinamentos.

Ideia: Assim que você começar a dar uma mesada para os seus filhos, use a oportunidade para ensinar sobre orçamento. Crie categorias e porcentagens de alocação, como por exemplo, 40% para gastar, 40% para poupar, 10% para doar e 10% para um fundo onde todos contribuem para atividades em família. Você pode até colocar o dinheiro em jarras de vidro com etiquetas para que as crianças possam “ver” o dinheiro crescer.

POUPAR

Crianças estão sempre querendo alguma coisa nova, seja um brinquedo ou um passeio especial. É uma ótima oportunidade para ensinar sobre poupança.

Ideia: Você pode calcular quantas semanas da porcentagem de gastar da mesada (40% no exemplo acima) levará para poupar o dinheiro necessário para um certo objetivo, e criar uma caixinha para cada semana. Pode ser uma caixinha de verdade para o dinheiro de cada semana ou uma representação gráfica como quadrados que vão sendo pintados. Comece com objetivos pequenos. Começar com um alvo que demore 10 semanas para atingir pode gerar frustração na criança e uma associação negativa com o processo de poupar.

GASTAR

Devemos ensinar nossos filhos sobre a importância de considerarem aquilo que querem versus aquilo que precisam.

Ideia: Se você costuma mandar comida de casa para a escola, mas a criança pede para comprar almoço ou sobremesa na cafeteria, determine que se quiser comprar comida na escola tem que ser com sua própria mesada. Este é um exemplo fácil de como fazer a criança considerar suas prioridades.

A verdade é que por mais que os pais ensinem e orientem, os filhos vão tomar decisões erradas e quebrar a cara de vez em quando, e isso faz parte do processo de aprendizado. É preciso deixar que lidem com as consequências das suas decisões, especialmente se você avisou sobre as possíveis consequências negativas de antemão.

LINGUAGEM POSITIVA

Muitos dos problemas financeiros que temos como adultos vêm das crenças que temos em relação à riqueza e ao dinheiro. Essas crenças, especialmente quando não temos total consciência delas, são muito fáceis de passar para as crianças na nossa comunicação e hábitos.

Mudar essas crenças ou hábitos pode ser um processo longo (e vale muito a pena!), mas você pode começar a mudar o tom do diálogo com seus filhos sobre dinheiro imediatamente.

Quando a criança pedir algo por impulso numa loja, ao invés de dizer “não podemos pagar”, ou “não está no orçamento” ou simplesmente “é muito caro”, responda com algo como “podemos fazer uma escolha melhor para usar esse dinheiro. ”

Ensine que o “não” de hoje é o “sim” de amanhã para algo que eles concordem que tenha maior valor. Por exemplo: “Não vamos jantar fora hoje e vamos guardar o dinheiro para nossa viagem para a Disney. “

Que bom se todos nós tivéssemos tido uma educação ideal em relação a finanças e pudéssemos passar tudo direitinho para os nossos filhos, sem cometer nem um erro. A verdade é que vamos errar e nossos filhos vão errar. Mas o importante é ter consistência e persistência no nosso objetivo de criar filhos responsáveis com seu dinheiro.

E se você precisa de uma ajudinha extra nessa área para poder ensinar melhor aos seus filhos, venha para a nossa próxima palestra.

Estamos aqui para ajudar. Até a próxima!